Entrar no Café Majestic é fazer uma viagem no tempo. Voltamos a 1921, ano em que nasceu este espaço luxuoso, ao Porto da "Belle Époque...
Entrar no Café Majestic é fazer uma viagem no tempo. Voltamos a 1921, ano em que nasceu este espaço luxuoso, ao Porto da "Belle Époque", dos escritores e dos artistas.
Em Janeiro de 1983 foi decretado “Imóvel de Interesse Público”. Três anos depois, a nova gerência estudou a forma de devolver a beleza ao café. Fotografias encontradas por Fernando Barrias permitiram reproduzir o Majestic de outros tempos. No dia 15 de Julho de 1994 abriu as portas. Desde essa altura que voltou ao mediatismo com exposições, eventos e ao reconhecimento internacional. Ganhou vários prémios, entre os quais destaco o de “sexto café mais bonito do mundo”, pelo site Ucityguides.
Conversei com o proprietário do espaço, Fernando Barrias, que revelou: “a famosa escritora dos livros do Harry Potter, J.K. Rowling, era professora e nos tempos livres ia ao Café Majestic”. Na biografia de J. K. Rowling, escrita por Sean Smith, existe a informação que “entre 1992 e 1993, a escritora passava muito tempo no Majestic a trabalhar no primeiro livro Harry Potter”.
Perguntei o que me recomendava. Disse-me sem hesitar: “Rabanadas Majestic envoltas num suave creme de ovos e frutos secos”. E foi o que experimentei enquanto falava com a chef de cozinha do Majestic, Manuela Pinto. Transmitiu-me que “forma-se uma fila de clientes no Natal para as Rabanadas. Fazemos entre 250 a 300 por dia nessa altura. O sucesso foi tão grande quando foram lançadas que decidimos vender durante todo o ano”, fora da época natalícia desta iguaria tão reconhecida e que eu própria também confeciono.
A chef Manuela explicou-me ainda que estas rabanadas são feitas com “pão de cacete normal, leite e no lugar de serem mergulhadas em ovo batido antes de fritarem, são mergulhadas em claras batidas em castelo e assim ficam mais estaladiças”. As gemas são utilizadas para a cobertura: o doce de ovos. “É feita uma calda de açúcar com canela e limão, que vai ao lume até atingir o ponto de pérola. Deixa-se arrefecer, depois colocam-se as gemas. Volta ao lume novamente. Este creme demora cerca de uma hora a fazer. São cerca de 30 gemas para 1,5kg de açúcar. Esta quantidade de doce de ovos dá para acompanhar 20 rabanadas”, disse ainda.
Isto se não forem gulosos como eu, ao ponto de pedir uma dose extra de doce de ovos. Tenho um fraquinho por doce de ovos e ovos moles. Pela doçaria conventual no geral, vá.
Depois levou por cima nozes, sultanas, pinhões, acompanhada ainda com um “garfo de canela”. A rabanada é servida quente. Achei uma maravilha! E o “suave creme de ovos”, descrição encontrada nas caixas de transporte para os clientes poderem consumir fora do café, na realidade parece-me ovos moles, mas com uma textura mais suave e sabor menos intenso. Não é um simples "creme de ovos". Uma dose com duas rabanadas custa 5€. Podem levar companhia quando forem experimentar.
Para a próxima visita, provo outra doçaria disponível no Café Majestic. Ouvi dizer que o cheesecake, a tarte de maçã, a tarte de amêndoa e o toucinho-do-céu são recomendados!
Rua Santa Catarina, 112
4000-442 Porto
Telefone: +351 222 003 887
http://www.cafemajestic.com
https://www.facebook.com/MajesticCafePorto
Fotografia: Diogo Agante




